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Alarme Falso: Resultado Laboratorial nega existência da Vaca LoucaAlarme Falso: Resultado Laboratorial nega existência da Vaca Louca

Publicado em 05/05/2014, Por Augusto Simões

Foi descartada, por meio de exames laboratoriais, a doença da vaca louca (Encefalopatia Espongiforme Bovina -EEB) nos 49 animais abatidos na última sexta-feira (25.04.2014) no frigorífico da empresa JBS/ Friboi localizado no município de São José dos Quatro Marcos (315 km ao oeste de Cuiabá). O resultado do exame realizado pelo Laboratório Nacional Agropecuário de Pernambuco (Lanagro-PE) nas amostras de todos os bovinos sacrificados, foi divulgado nesta quinta-feira (01.05.2014) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e descartou a ocorrência da doença.

 

Os animais foram separados do rebanho depois que uma vaca de uma das fazendas do município, na fronteira com a Bolívia, foi identificada com a chamada marcação priônica (falha em partículas de proteínas importantes para o desenvolvimento dos neurônios). Para estes casos, a recomendação internacional prevê a destruição desses animais e por isso houve o sacrifício dos 49 bovinos. Agora, foi constatado que não estavam infectados.

 

“Isso demonstra de forma inequívoca que o animal identificado é um caso isolado e não representa risco algum para a sanidade animal e à saúde pública. Essas medidas foram adotadas visando encerrar as atividades de campo, independentemente do resultado conclusivo que ainda está por ser enviado pelo laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), localizado em Weybridge, na Inglaterra”, disse o Mapa - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em nota divulgada nesta quinta-feira.

 

O animal identificado com suspeita de EEB já estava em um frigorífico em São José dos Quatro Marcos, pronto para o abate, quando a equipe de inspeção sanitária chegou para uma vistoria de rotina, no dia 19 de março de 2014. À ocasião, os técnicos verificaram que a fêmea de 12 anos apresentava distúrbios neurológicos por estar caída. Ela foi sacrificada e incinerada.

 

Após o episódio, as autoridades sanitárias do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) e também do Mapa, entram em ação para investigar o caso. Para isso, foram inspecionados em 11 propriedades rurais, mais de 4 mil animais e identificados 49 bovinos em plena condição física de saúde e com idades de 11 e 13 anos. Isso porque a vaca que apresentou sintomas da doença tinha idade de 12 anos. Assim, animais que tinham nascido 1 ano antes e 1 ano depois dela foram mortos.

 

“Todas as ações foram sustentadas nas recomendações sanitárias do Código de Animais Terrestres da OIE, visando cumprir com os seus dispostos, mantendo assim o Brasil com a melhor classificação mundial sanitária para EEB, que é de risco insignificante”, diz o comunicado do Mapa.

 

Esclarece ainda que desde 1990, o Mapa aplica medidas de prevenção e vigilância dessa doença, que são atualizadas constantemente, em consonância com as informações científicas disponíveis e as recomendações da entidade internacional. Justifica um eventual registro da enfermidade não configura risco sanitário, visto que as medidas de mitigação de risco atuais são suficientes para evitar a reciclagem e amplificação do agente causador”.

 

No sudoeste de Mato Grosso, formam-se as cabeceiras do Pantanal, e as pastagens exuberantes atraíram criadores de gado de várias partes do país. A pecuária expandiu-se até se tornar a base da economia de muitas cidades. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), a área já abriga quase um quarto dos 25,6 milhões de cabeças de gado do Estado, que tem o maior rebanho nacional. Municípios como Porto Espiridião e São José de Quatro Marcos, têm rebanhos de 1 milhão de cabeças.

 

 

Quatro Marcos, com 19,5 mil habitantes, "respira" boi, afirma o comerciante e pecuarista Joaquim Tanaka Tosta, dono de uma loja de insumos agropecuários. "Se disser que 80% da nossa economia está ligada ao gado não é exagero. Basta dizer que as duas únicas empresas de porte são um frigorífico de bovinos e um laticínio."

 

O risco de colapso na cidade por causa da vaca louca assusta os moradores. Anísio Cássio de Almeida, do Sindicato Rural, diz que a hipótese é remota. "Está havendo um exagero. Foram confiscados e abatidos mais bois do que seria necessário."

 

O criador Jorge Luiz Dantas acha que houve precipitação do veterinário. "A vaca louca pode estar em outro lugar, mas não aqui." Ele reclama da condição das estradas na região. "O gado sofre mesmo é no transporte."

 

As notícias sobre a vaca louca já reduziram o preço do boi na região. Segundo Dantas, o frigorífico estava pagando R$ 115 a arroba para o mercado interno e já baixou para R$ 113. Os leilões de gado também esfriaram.

 

 

Apesar de o mercado internacional considerar que o caso de doença da vaca louca, o Brasil pretende ganhar espaço nas exportações de carne bovina a partir do episódio. Os embarques brasileiros caíram 11%  para 1,09 milhão de toneladas. Os representantes do setor acreditam que, diante da ocorrência, a qualidade sanitária da carne brasileira deve ser mais reconhecida.

 

“Os Estados Unidos vendem muito para a Rússia e para a Europa, que sempre impõem restrições ao produto brasileiro. No contexto internacional, se um grande exportador tem um problema de vaca louca, com certeza algo pode prejudicá-lo. E ganham os outros exportadores”, avaliou o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar.

A União Europeia, o Canadá, o México e o Japão confirmaram ontem que continuarão importando carne dos EUA. Duas redes sul-coreanas suspenderam a distribuição da carne norte-americana, isoladamente. A Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) informou que não vai rebaixar os Estados Unidos, que é área de “risco controlado” em relação à vaca louca.

Essa é a mesma categoria do Brasil, apesar de o país nunca ter registrado a doença. O país espera que a OIE eleve seu status para “risco insignificante” em maio.

A doença da vaca ganhou repercussão na década de 1980. Os animais doentes apresentam disfunções no sistema nervoso central e acabam morrendo. Houve registro de 3,5 mil casos por mês no auge da epidemia, entre 1992 e 93.

 






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